Natália Esteves Pacheco

Do Uruguai ao Ceará: quando o Brangus encontra o Sertão

Quando deixamos o Uruguai para construir uma nova história no Ceará, muitas pessoas nos perguntaram se não estávamos trocando uma região tradicionalmente pecuária por um ambiente completamente diferente. A verdade é que enxergamos justamente o contrário. O agro nos ensina que oportunidades raramente aparecem nos lugares óbvios. Elas surgem quando conseguimos olhar além do que […]

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Quando deixamos o Uruguai para construir uma nova história no Ceará, muitas pessoas nos perguntaram se não estávamos trocando uma região tradicionalmente pecuária por um ambiente completamente diferente.

A verdade é que enxergamos justamente o contrário.

O agro nos ensina que oportunidades raramente aparecem nos lugares óbvios. Elas surgem quando conseguimos olhar além do que já existe e visualizar o que ainda pode ser construído.

Foi assim que passamos a enxergar o potencial do Brangus no sertão nordestino.

Nossa trajetória sempre esteve ligada à pecuária. Como médica veterinária e produtora rural, vivi durante anos a realidade das fazendas do Sul e do Uruguai, convivendo com sistemas produtivos altamente profissionalizados e forte seleção genética. Ao chegar ao Ceará, encontramos um cenário diferente, mas repleto de possibilidades.

O Nordeste reúne um dos maiores rebanhos bovinos do país, um mercado consumidor em expansão e produtores cada vez mais atentos à genética, produtividade e qualidade da carne.

Nesse contexto, o Brangus chamou nossa atenção.

Resultado do cruzamento entre Angus e Zebu, a raça combina adaptação ao calor, fertilidade, habilidade materna e qualidade de carne, características que se alinham às demandas da pecuária nordestina.

Mais do que enxergar adversidades, passamos a observar o que o sertão oferece: luminosidade abundante, áreas aptas à produção, produtores resilientes e disposição para inovar. Quando genética, manejo e planejamento caminham juntos, os resultados aparecem.

Mas essa mudança não foi apenas profissional.

Como mulher, esposa, mãe de duas filhas e empreendedora do agro, mudar de país, deixar uma história construída e recomeçar em uma nova região exigiu coragem.

Trouxemos conosco nossas raízes gaúchas, a experiência adquirida no Uruguai e a certeza de que o conhecimento não tem fronteiras.

Hoje, ao ver nossas filhas crescendo entre o pampa que carregamos na alma e o sertão que aprendemos a amar, entendemos que o agro também é isso: a capacidade de criar pontes entre culturas, pessoas e territórios.

O Brangus talvez seja apenas uma raça.

Mas, para nós, ele representa algo maior.

Representa a união entre tradição e inovação, experiência e adaptação.

E reforça uma convicção que se fortaleceu ao longo dessa jornada: o desenvolvimento acontece quando existe disposição para reconhecer e construir oportunidades.

Se existe uma lição nessa trajetória, é que o futuro da pecuária não nasce apenas onde tudo já está consolidado, mas também onde há visão e coragem para investir no que ainda está em construção. Foi essa escolha que nos trouxe ao sertão — e, a cada passo, ele confirma que seu potencial está longe de ser totalmente revelado.

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