Agro Soja

Produtores de soja no Ceará vêm de fora do estado

No Cariri cearense, uma paisagem sempre marcada pela pecuária e pela fruticultura de altitude está ganhando um vizinho novo: lavouras de soja. Os produtores de soja no Ceará que chegam agora, porém, não são quem já vivia ali. Produtores de soja no Ceará: o movimento que vem de fora Nos últimos meses, grandes produtores de […]

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No Cariri cearense, uma paisagem sempre marcada pela pecuária e pela fruticultura de altitude está ganhando um vizinho novo: lavouras de soja. Os produtores de soja no Ceará que chegam agora, porém, não são quem já vivia ali.

Produtores de soja no Ceará: o movimento que vem de fora

Nos últimos meses, grandes produtores de soja de outros estados passaram a investir em terras nas chapadas cearenses. A maioria vem do Centro-Oeste. Um dos casos mais recentes envolve a compra de milhares de hectares na Chapada do Araripe, no Cariri. O investimento foi estimado em R$ 100 milhões. Por enquanto, a soja está sendo plantada como preparo do solo. Depois, em até três anos, a meta é colher algodão na mesma área.

Além disso, esse movimento tem apoio do governo do estado, dentro de um programa de fomento ao algodão. A Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) também participa, assim como entidades de indústria.

Vale destacar que essa chegada não é um caso isolado. Produtores de outros estados nordestinos e do Centro-Oeste já vinham de olho nas chapadas cearenses antes desse movimento se tornar público.

Por que as chapadas cearenses chamam atenção

A resposta tem menos a ver com sorte e mais com solo, clima e política pública. Primeiro, existe a altitude: a Chapada do Araripe fica a quase 900 metros, assim como o Apodi e a Ibiapaba. Como resultado, o calor extremo do semiárido diminui, o que torna viável o cultivo de grãos.

Além disso, parte dessas regiões já conta com irrigação pública, construída há décadas para outras culturas. Por consequência, o investimento inicial de quem chega de fora fica menor.

Há também o preço da terra. Em fronteiras já consolidadas, como o Matopiba, o valor das áreas subiu muito nas últimas duas décadas. Por outro lado, as chapadas cearenses ainda não passaram por essa valorização, o que as torna mais baratas.

Por fim, há a função agronômica da soja: antes do algodão chegar, ela prepara o solo, fixando nitrogênio. Ou seja, a soja não é o destino final do investimento, é a porta de entrada.

O que isso significa para quem já produz nas chapadas

Por um lado, pesquisadores técnicos apontam que a soja no Ceará precisa de mais investimento em conhecimento e maquinário. Por outro lado, especialistas em economia alertam que o clima do estado pode favorecer, no fim das contas, culturas de maior valor.

Assim, quem sai ganhando no curto prazo é a própria região: grandes investimentos trazem infraestrutura e movimento para o comércio local. Consequentemente, prestadores de serviço sentem esse efeito primeiro.

Por outro lado, quem precisa se adaptar é o pequeno produtor que já estava ali. Em outras fronteiras agrícolas, aliás, grandes investidores valorizaram o preço da terra com rapidez. Dessa forma, isso pode virar oportunidade para quem quer vender ou arrendar, e pressão para quem depende da terra para sobreviver.

Se esse movimento se confirmar, os produtores de soja no Ceará vindos de fora escrevem um novo capítulo, ainda que numa escala menor que a do Centro-Oeste. De todo modo, essa fronteira não chegou vazia: encontrou gente que já plantava ali. Por isso, o desafio é fazer essas duas versões da soja convivirem.

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