Agro

Confinamento em SP atinge menor custo em 12 meses com margem positiva

O sol mal desponta no horizonte paulista e o som ritmado do vagão forrageiro já corta o silêncio da manhã, distribuindo a ração ao longo do cocho de concreto. Enquanto a boiada avança tranquila para o trato, o produtor passa conferindo o consumo de cada lote com a prancheta debaixo do braço. Nos últimos anos, […]

Gado de corte se alimentando no cocho em um confinamento durante o amanhecer

O sol mal desponta no horizonte paulista e o som ritmado do vagão forrageiro já corta o silêncio da manhã, distribuindo a ração ao longo do cocho de concreto. Enquanto a boiada avança tranquila para o trato, o produtor passa conferindo o consumo de cada lote com a prancheta debaixo do braço. Nos últimos anos, esse mesmo olhar costumava carregar a preocupação com os custos galopantes dos grãos e a arroba pressionada. Desta vez, no entanto, o semblante é de alívio: a conta do confinamento voltou a fechar no azul.

Em agosto, a terminação intensiva em São Paulo alcançou o menor custo de produção registrado nos últimos doze meses. Com uma diária média estabilizada na casa dos R$ 18 por cabeça e um custo de produção por arroba em torno de R$ 254, a pecuária paulista encontrou um respiro essencial. O diferencial deste momento está no resultado líquido: mesmo após descontar fretes, comissões, custos operacionais e impostos, a atividade conseguiu entregar margem real positiva ao confinador.

O alívio que vem da nutrição no cocho

O principal combustível dessa recuperação nos resultados foi o alívio nos custos com alimentação, que representam a maior fatia de despesa dentro de uma estrutura intensiva. O recuo nos preços do milho e de subprodutos energéticos e proteicos nos últimos meses deu fôlego para ajustar a dieta animal sem comprometer o ganho de peso diário. Gastar cerca de R$ 18 ao dia por animal traz uma previsibilidade que os confinadores não experimentavam há pelo menos um ano.

Com a arroba produzida na faixa dos R$ 254, o pecuarista que comprou o boi magro com disciplina e soube travar compras de insumos encontrou uma janela favorável de comercialização. Em um negócio onde a margem costuma ser estreita e o risco é constante, trabalhar com custos decrescentes devolve a segurança necessária para quem precisa girar o plantel e honrar compromissos financeiros.

Estratégia e gestão porteira adentro

Ter uma margem positiva no papel não significa que o lucro venha por inércia. O produtor de corte sabe que cada centavo economizado na mistura da ração e cada quilo ganho com eficiência de carcaça fazem a diferença entre o sucesso e o aperto financeiro no frigorífico. A gestão eficiente do cocho, o monitoramento rigoroso de sobras e a atenção à sanidade animal continuam sendo peças-chave para transformar o cenário favorável de mercado em rentabilidade concreta.

Para quem passou por ciclos desafiadores de margens negativas e incertezas climáticas, o fechamento de agosto mostra que a pecuária de engorda segue resiliente. A resposta do campo foi, mais uma vez, aperfeiçoar processos e controlar custos na ponta do lápis para aproveitar o momento de recuperação com firmeza e cautela.

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