Nas primeiras horas da manhã, antes mesmo de o sol aquecer as telhas dos aviários no interior paulista, a rotina dos avicultores já está em ritmo acelerado. Entre a checagem rigorosa dos sistemas de ventilação e o monitoramento cuidadoso do ganho de peso dos lotes, o produtor rural enfrenta o desafio diário de garantir o bem-estar das aves diante de temperaturas atípicas. O clima quente e seco das últimas semanas exigiu manejo redobrado para manter o lote no padrão exigido pelos frigoríficos, mas o empenho do campo encontrou um alívio concreto nas cotações.
O mercado do frango vivo encerrou o mês de setembro com uma valorização expressiva em São Paulo. O preço médio do quilo atingiu R$ 5,38, registrando uma alta de 7,8% na comparação com o mês anterior. Este foi o segundo avanço mensal consecutivo e coloca o valor nominal no patamar mais elevado registrado desde dezembro de 2022, quando o quilo atingiu R$ 5,42. O movimento decorre de uma conjunção entre a busca ativa das indústrias por matéria-prima e uma menor oferta de aves prontas para abate, diretamente afetadas pelas altas temperaturas que desaceleram o ganho de peso nas granjas.
Reflexos no atacado e sustentação da demanda
O aquecimento das cotações nas granjas repercutiu de maneira imediata em toda a cadeia de comercialização de carne de frango. No atacado da Grande São Paulo, os produtos registraram valorizações consistentes ao longo do último mês:
- Frango resfriado: alcançou a média de R$ 7,54 por quilo, alta de 6,6% em relação a agosto.
- Frango congelado: registrou média de R$ 7,61 por quilo, um avanço mensal de 6,4%.
Ambos os produtos não atingiam esses patamares nominais desde o final de 2022. Para os integrados e criadores independentes, a recuperação de preços nas pontas de consumo e distribuição ajuda a recompor margens operacionais que vinham sendo pressionadas pelos custos com ração, energia e adaptações térmicas nas instalações.
Postura comercial alcança marca histórica
Enquanto a avicultura de corte enfrenta restrições pontuais de oferta, o segmento de postura comercial registrou um desempenho sem precedentes. Dados oficiais sobre a pecuária nacional apontam que a produção brasileira de ovos de galinha atingiu 1,16 bilhão de dúzias no segundo trimestre de 2024. Trata-se do maior volume trimestral já registrado em toda a série histórica do levantamento, iniciada no final da década de 1980.
O volume produzido representa um crescimento de 4,2% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Esse desempenho demonstra a eficiência dos plantéis e a capacidade das granjas de postura em responder ao consumo estável da proteína, frequentemente procurada como alternativa econômica nos lares brasileiros.
Manejo e planejamento na reta final do ano
Com o encerramento do terceiro trimestre, os avicultores concentram esforços na gestão sanitária e no controle ambiental dentro dos galpões, visando atravessar os meses mais quentes do ano com estabilidade produtiva. O equilíbrio entre oferta ajustada no corte e volumes recordes na postura comercial consolida o papel do avicultor como esteio fundamental para o abastecimento interno e a segurança alimentar do país.












