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Quem está puxando a produtividade da economia é o moderno agronegócio

Estudo mostra avanço da eficiência do trabalho em Estados do interior e reforça papel da agricultura tecnológica A produtividade brasileira mudou de endereço”. A frase é do jornalista Fernando Canzian, refletindo a força do agro tecnológico na interiorização do desenvolvimento nacional. Publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, a reportagem de Canzian baseia-se no estudo, […]

Quem está puxando a produtividade da economia é o moderno agronegócio

Estudo mostra avanço da eficiência do trabalho em Estados do interior e reforça papel da agricultura tecnológica

A produtividade brasileira mudou de endereço”. A frase é do jornalista Fernando

Canzian, refletindo a força do agro tecnológico na interiorização do desenvolvimento nacional.

Publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, a reportagem de Canzian baseia-se no estudo, recém-publicado, intitulado “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in

Brazilian Municipalities (2002-2019)”, de autoria dos professores Alan Bueno e Diogo Ferraz

Eles calcularam, anualmente, a produtividade do trabalho em cada município brasileiro, agregando-os por Estado. O índice, básico na economia, obtém-se pela divisão do valor adicionado de bens e serviços pela quantidade de mão de obra utilizada no período.

Produtividade significa eficiência da mão de obra.

Chama a atenção ver o Piauí liderando o ranking estadual da produtividade do trabalho no

Brasil, com 103% de crescimento de 2002 a 2019. Em seguida vêm Maranhão (86%), Tocantins (69,7%) e Mato Grosso (55,8%). São Paulo aparece em 23º lugar, com míseros 1,2%.

Quem está puxando a produtividade da economia é o moderno agronegócio

O mapa colorido mostra, agregado por município, a dinâmica espacial do crescimento da produtividade do trabalho no Brasil (2002-2019). Mais verde indica maior crescimento; mais vermelho, estagnação. O resultado é totalmente inusitado.

O estudo de Alan Bueno e Diogo Ferraz rompe, definitivamente, com a velha tese da economia clássica, sintetizada por Whitman Rostow em 1960, de que o desenvolvimento de uma nação leva a agricultura a se tornar residual no processo económico.

Adotada pelo pensamento da esquerda latino-americana dentro da Cepal (Comissão

Econômica para a América Latina e o Caribe), a exemplo de Celso Furtado, a tese da prevalência da industrialização até hoje impera nos meios acadêmicos, repercutindo na opinião pública e na política. Daí vem a crítica à “commoditização” do país.

Celso Ming, que da economia faz bom jornalismo, tem sido um dos únicos a apontar a superação, pelo avanço tecnológico e pelas novas exigências geopolíticas, da velha tese econômica. “As coisas mudaram muito. A industrialização foi e continua sendo importante, mas não mais como agente essencial de agregação de valor”, escreveu Ming.

E arrematou: “Os Estados Unidos, ainda a maior potência económica do planeta, são o maior produtor de commodities agrícolas, e nem por isso se sentem um fazendão.”

O fato, cada vez mais comprovado, é que o moderno agronegócio está interiorizando o desenvolvimento brasileiro. E histórico. De uma forma impensável, a expansão do agro tecnológico por regiões antes incultas, e até desabitadas, promove uma onda de progresso que puxa os demais setores da economia.

No Piauí, o dinamismo se concentra na região de Uruçuí, ao noroeste do estado. Já no Maranhão, o município de Balsas lidera a transformação, verificada igualmente no oeste | da Bahia (Luís Eduardo Magalhães) e no norte de Tocantins (Araguaína).

Chama-se pelo acrônimo de Matopiba o território dessa nova fronteira agrícola, com vegetação típica de Cerrado, solos leves, distribuídos por chapadas planas e elevadas, acima de 800 m de altitude. Cortado por veredas, se estende por cerca de 70 milhões de hectares. Para comparação, no Estado de São Paulo, a agropecuária ocupa perto de 12 milhões de hectares.

O dinamismo do agro tecnológico também turbina os perímetros irrigados do Nordeste.

No Centro-Oeste, em Rondônia e no Pará, grandes lavouras enfeitam a paisagem rural.

Onde quer que se observe, incluindo as regiões mais tradicionais do Sudeste e Sul, se encontra elevada produtividade da terra, em função da intensiva relação capital-trabalho.

Em vez de retardatária, a modera agricultura lidera o desenvolvimento brasileiro. É revolucionário, no mundo das ideias econômicas, verificar esse fenômeno.

Não é teoria, é a pura realidade.

Fonte: https://www.poder360.com.br/opiniao/quem-esta-puxando-a-produtividade-da-economia-e-o-moderno-agronegocio/

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