Agro Milho

Preço do milho em 2026: por que vender agora pode custar caro ao médio produtor cearense

Depois de meses de queda, o preço do milho voltou a subir. Em julho de 2026, o contrato futuro para setembro foi cotado a R$ 67,50 por saca. Já o contrato de novembro chegou a R$ 70,80. Pela primeira vez no ano, portanto, o valor esperado do grão superou o praticado no mesmo período de […]

Silo de armazenagem de grãos em propriedade rural do Ceará, ao entardecer, sem pessoas em foco.

Depois de meses de queda, o preço do milho voltou a subir. Em julho de 2026, o contrato futuro para setembro foi cotado a R$ 67,50 por saca. Já o contrato de novembro chegou a R$ 70,80. Pela primeira vez no ano, portanto, o valor esperado do grão superou o praticado no mesmo período de 2025.

Para o médio produtor cearense, esse movimento não é só um número na tela. Afinal, ele costuma ter estrutura própria de armazenagem. Por isso, chegou o momento de decidir: vender agora e garantir o preço atual, ou guardar a saca e apostar em uma valorização maior nos próximos meses.

Por que o milho voltou a subir

O ano começou diferente. Em janeiro de 2026, o Cepea registrava o indicador do milho na casa dos R$ 65 por saca. Esse patamar refletia estoques de passagem acima da média e uma safra recorde projetada pela Conab.

Ao longo do primeiro semestre, porém, o cenário mudou. A entrada de usinas de etanol de milho no mercado interno criou um novo piso de preço. Quando o valor de exportação cai, essas usinas competem pelo grão e evitam quedas mais bruscas.

Some-se a isso o consumo crescente de ração para aves e suínos. Essa demanda já responde por boa parte do consumo interno, estimado em 145,7 milhões de toneladas para 2026.

O resultado, assim, é um mercado mais sustentado do que no início do ano. Ainda assim, o preço segue distante da euforia de safras passadas.

O que muda para quem planta no Ceará

O Ceará vive um momento raro dentro dessa história. Segundo a Conab, o estado deve colher cerca de 1,02 milhão de toneladas de milho em 2026. Esse volume representa um crescimento de aproximadamente 23% frente à safra anterior, puxado pelas boas condições climáticas do ciclo.

Essa recuperação reduz a necessidade de importar milho de outros estados para abastecer criadores locais. Dessa forma, ajuda a equilibrar os custos de quem depende do grão para produção animal. Por outro lado, a mesma oferta maior pode pressionar o preço pago ao produtor cearense na ponta, mesmo com a valorização nacional.

É aqui, portanto, que entra a decisão estratégica do médio produtor: vender rápido para aproveitar a alta de julho, ou segurar parte do estoque. Afinal, a safrinha responde por 80% da produção nacional e ainda pode sofrer com risco climático. Isso poderia empurrar o preço para cima entre agosto e novembro.

Armazenar tem custo, e essa conta precisa fechar

Guardar a saca no armazém não é decisão automática. Armazenagem tem custo, seja com estrutura própria, seja terceirizada. Além disso, envolve juros sobre o capital parado e risco de perda de qualidade do grão ao longo do tempo.

Se o prêmio esperado pela valorização futura não cobrir esses custos de carregamento, vender agora tende a ser a decisão mais segura. Porém, se o produtor tem margem de caixa e capacidade de esperar, a janela de valorização até novembro pode compensar.

Para 2026, as projeções de mercado variam bastante conforme o cenário. No quadro pessimista, o preço pode ficar entre R$ 55 e R$ 62 por saca. Já no cenário de quebra relevante da safrinha por clima, pode chegar a R$ 80 ou R$ 95 por saca. Trata-se, portanto, de uma faixa larga, e a decisão do produtor precisa considerar sua própria estrutura de custo, não apenas a expectativa de preço.

O que vem pela frente

A safrinha de milho segue sendo o fator decisivo para o segundo semestre de 2026. Com a janela de plantio mais curta neste ciclo, qualquer instabilidade climática entre agosto e outubro pode mudar rapidamente a equação de preço. Hoje, essa equação favorece quem consegue esperar.

Para o médio produtor cearense, portanto, a recuperação da safra local e a valorização recente do grão abrem uma janela de negociação mais favorável do que a vista no início do ano. Ainda assim, a decisão de vender ou armazenar continua sendo uma conta que cada produtor precisa fazer com seus próprios números, não com a média do mercado nacional.

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