O sol mal desponta nos canaviais e o maquinário pesado já trabalha a pleno vapor na colheita da safra de cana-de-açúcar. No entanto, no final da cadeia produtiva, o consumidor e o setor agroindustrial sentem as constantes oscilações do mercado de combustíveis. Segundo levantamento recente divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do etanol hidratado subiu em dez estados e no Distrito Federal durante a última semana analisada.
Dessa forma, o valor médio nacional do combustível registrou uma leve elevação de 0,99%, cotado a R$ 4,08 por litro. Por isso, produtores e usineiros monitoram de perto os custos logísticos e os reflexos nas bombas, ajustando estratégias de comercialização para manter a rentabilidade no campo.
Como o preço do etanol hidratado varia entre os estados
O comportamento dos preços nas bombas apresentou oscilações mistas de acordo com a região. Enquanto dez estados e o Distrito Federal registraram aumento, outras dez unidades federativas apresentaram recuo nos valores, e seis estados permaneceram estáveis. Essa divergência demonstra como os custos de transporte e impostos estaduais afetam o produto final.
Em São Paulo, o maior polo produtor do país, o combustível fóssil e o biocombustível mantêm forte concorrência. No estado paulista, o preço do etanol hidratado subiu 0,79%, atingindo a média de R$ 3,82 por litro, que segue como o menor valor praticado no Brasil. Por outro lado, a cotação mais elevada foi encontrada nos postos do Acre, onde o litro atingiu a média de R$ 4,88.
A paridade com a gasolina na bomba
Para o consumidor na ponta da cadeia, a viabilidade econômica do etanol depende da proporção em relação à gasolina. Em termos de rendimento energético, o combustível da cana costuma ser vantajoso se custar até 70% do valor do derivado fóssil. Contudo, essa relação de preços variou significativamente pelo país.
Nesse sentido, o etanol foi considerado financeiramente competitivo sobre a gasolina em apenas três estados: Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo. Em Mato Grosso, a paridade alcançou o patamar mais favorável, registrando 64,8%. Em Minas Gerais e em São Paulo, o índice ficou em 67,6% e 67,8%, respectivamente. Portanto, nas demais regiões brasileiras, a gasolina comum manteve uma relação mais vantajosa no bolso dos motoristas.
Planejamento do setor sucroenergético
Diante desse cenário, a indústria sucroalcooleira segue atenta à dinâmica do mercado interno e externo. O produtor de cana-de-açúcar demonstra resiliência ao gerenciar custos de produção e logística frente à oscilação das cotações. Assim, o acompanhamento frequente sobre o preço do etanol hidratado continua essencial para definir o mix de produção entre açúcar e biocombustível ao longo do ciclo.
Leia também: Moraes deve deixar o STF: a credibilidade da Corte não pode depender de um único ministro












