Passada a eleição, é hora de agradecer, refletir e, principalmente, olhar para frente com esperança, coragem e disposição para continuar construindo.
Meu primeiro agradecimento é a cada produtor rural, amigo e liderança que esteve conosco nessa caminhada. A quem abriu as porteiras de sua propriedade, participou das reuniões, percorreu quilômetros, reuniu amigos e compreendeu que o produtor precisa deixar de ser apenas espectador para se tornar protagonista das decisões que interferem diretamente em sua vida e no futuro do campo.
Um agradecimento especial ao EPROCE, aos seus núcleos e a todos os produtores que fazem parte desse movimento.
O resultado de uma eleição pertence às urnas. O nosso propósito vai muito além delas.
Eu conheço o agro pela raiz
Quando falo sobre representatividade do produtor rural, não falo apenas como observador.
Sou bisneto, neto e filho de produtor rural. O agro faz parte da minha história, da história da minha família e da minha forma de enxergar o futuro.
Minha experiência percorre diferentes etapas da cadeia. Já atuei na cria, recria e engorda, criei cavalos, fiz confinamento e plantei soja, milho, milheto, sorgo, pasto e outras culturas. Também fui proprietário de frigorífico exportador com SIF e de casas de carne.
Conheci a produção dentro da porteira, o processamento, a indústria e a comercialização até chegar ao consumidor.
E não conto apenas histórias de sucesso.
Já acertei muito e também errei. Já ganhei e já perdi muito. Sei o que significa colocar patrimônio, trabalho e sonhos em risco, enfrentar ciclos difíceis, superar perdas e recomeçar.
Essa vivência reforça minha convicção de que o produtor precisa participar mais das decisões, ocupar os espaços de representação e formar suas próprias lideranças.
Nenhuma transformação acontece quando esperamos que outros decidam por nós. A mudança começa quando o produtor participa, se organiza e assume seu papel.
O exemplo de Mato Grosso do Sul
Sou sul-mato-grossense e testemunhei de perto uma mudança importante na representatividade do agro do meu Estado.
Minha tia Tereza Cristina – na realidade, prima da minha mãe, mas chamada assim pela proximidade familiar – pertence a uma geração que ajudou a transformar a mentalidade do agro de Mato Grosso do Sul.
Nada aconteceu de uma hora para outra. Foi necessário incentivar a participação dos produtores nas entidades, preparar pessoas, fortalecer vínculos e compreender que não bastava produzir dentro da porteira. O agro também precisava participar das decisões que determinavam seu futuro.
Uma geração começou a preparar a seguinte, e o setor passou gradualmente a formar seus próprios representantes.
Esse é um aprendizado importante para todos nós: lideranças fortes não surgem por acaso. Elas são construídas com participação, compromisso, conhecimento e disposição para servir.
O Ceará está começando esse processo
Vejo hoje no Ceará algo parecido com aquilo que acompanhei no Mato Grosso do Sul uma geração atrás.
Estamos em um processo de amadurecimento.
O produtor cearense é extremamente forte individualmente, mas ainda precisamos avançar na organização coletiva, na união e na formação de lideranças.
Quando o próprio setor não prepara seus representantes, outras pessoas acabam ocupando esse espaço. Mato Grosso do Sul também viveu essa fase, com o surgimento de pseudo lideranças do agro: pessoas que falavam em nome do produtor sem conhecer verdadeiramente os riscos, as responsabilidades e os desafios de produzir.
Muitas vezes, se serviam do agro em vez de servir ao agro.
Esse ciclo começou a terminar quando produtores verdadeiros decidiram assumir seu protagonismo, participar das entidades e construir uma representação mais legítima.
Acredito que o mesmo acontecerá no Ceará.
Mas isso depende de cada um de nós. Depende do produtor que participa da reunião, que abre sua propriedade, que compartilha sua experiência, que apresenta uma nova ideia e que incentiva outro produtor a se juntar ao movimento.
Nenhuma liderança se constrói sozinha. O futuro do agro também não.
Liderança do agro precisa viver o agro
Esse é um dos pilares do EPROCE.
Como sempre diz nosso fundador, Fontelles, precisamos formar lideranças que realmente venham do agro e vivam o agro.
Quem representa o produtor precisa compreender o peso de uma folha de pagamento, a dificuldade do crédito, o custo dos insumos, a insegurança jurídica, o risco climático e a incerteza dos mercados.
Precisa conhecer a realidade de quem prepara a terra, planta, cria animais, investe, enfrenta perdas e coloca o próprio patrimônio em risco para produzir.
Precisa ter humildade para ouvir, coragem para defender e compromisso para permanecer ao lado do produtor mesmo quando não há eleição, cargo ou visibilidade.
Porque quem nunca viveu essa realidade dificilmente compreenderá integralmente os desafios de quem produz.
O agro precisa de representantes que conheçam sua realidade, respeitem sua gente e estejam dispostos a trabalhar por resultados concretos.
O EPROCE é um projeto de geração
É importante deixar isso muito claro:
O EPROCE não nasceu para uma eleição.
O EPROCE nasceu para uma geração.
Somos um movimento social de produtores que busca aproximar quem produz, criar consciência coletiva, identificar novas lideranças e preparar pessoas para representar verdadeiramente o campo cearense.
O EPROCE é um espaço para participar, aprender, contribuir e construir. É uma ponte entre produtores, regiões, atividades e gerações.
Por isso, o convite está aberto a todos: pequenos, médios e grandes produtores; agricultores, pecuaristas, empreendedores rurais, jovens, mulheres e todos aqueles que acreditam na força do campo cearense.
Venha participar do EPROCE. Traga sua experiência, suas dificuldades, suas ideias e também sua disposição para ajudar.
Não queremos transformar o agro em instrumento de partido algum.
Queremos um setor forte o suficiente para dialogar com qualquer governo, cobrar qualquer governante e defender seus interesses independentemente de quem esteja no poder.
Esse trabalho não termina em uma eleição, nem se limita a um mandato.
No Mato Grosso do Sul, também foi necessário tempo para construir uma nova geração de lideranças.
Alguém precisou plantar para que outra geração pudesse colher.
Agora, cabe a nós plantar no Ceará: plantar união, participação, conhecimento, responsabilidade e esperança.
Uma eleição termina. O propósito continua.
Por isso, passado o período eleitoral, minha palavra é principalmente de gratidão, mas também de convocação.
Obrigado a todos os amigos que estiveram conosco, aos produtores que participaram, debateram, apoiaram e tiveram coragem de se posicionar.
Meu agradecimento especial a cada integrante do EPROCE que acredita nesse projeto e ajuda a mantê-lo vivo em cada reunião, cada conversa e cada nova aproximação.
Esta caminhada mostrou que existe uma enorme força espalhada pelo Ceará. Agora precisamos transformá-la em união, participação e representatividade.
Precisamos de lideranças que não descubram o agro apenas quando surge uma oportunidade política ou institucional.
Precisamos de pessoas que sejam do agro antes do cargo e continuem sendo do agro depois dele.
E precisamos de produtores dispostos a participar antes que as decisões sejam tomadas.
A força do campo não está apenas naquilo que produz, mas também na capacidade de se organizar, se posicionar e defender seus próprios interesses.
Por isso, o convite é simples e direto: aproxime-se, participe, fortaleça o EPROCE e ajude a formar a próxima geração de lideranças do agro cearense.
As pessoas passam. Os cargos passam. Os governos passam. O produtor permanece.
Continuaremos percorrendo o Ceará, ouvindo quem produz, aproximando pessoas, fortalecendo os núcleos e preparando uma nova geração.
Porque eleição tem começo e fim.
Propósito não.
O agro cearense está amadurecendo.
O EPROCE está crescendo.
E essa história está apenas começando.












