O melão está bom para comer, mas tem uma mancha na casca. A banana amadureceu um dia antes do previsto. No mercado, esse alimento perde valor. Na roça, quem plantou sabe o quanto custou cada caixa: água, adubo, mão de obra e meses de espera.
É nesse intervalo, entre o que sobra em um lugar e o que falta em outro, que trabalha o Sesc Mesa Brasil. O programa do Sesc recolhe alimentos próprios para consumo que seriam descartados e os entrega a instituições sociais do Ceará. A partir deste mês, o Sesc também passa a integrar o grupo de patrocinadores do Portal AgroRaiz.
A escolha da data não é por acaso. Nesta quinta-feira, 16 de outubro, é celebrado o Dia Mundial da Alimentação.
Quem é o Sesc no Ceará
O Sesc, Serviço Social do Comércio, atua em alimentação, saúde, cultura e lazer. No campo da segurança alimentar, ou seja, a garantia de que as pessoas tenham comida suficiente e de qualidade, sua principal ferramenta é o Mesa Brasil.
O programa está no Ceará desde 2001 e, desde então, já distribuiu mais de 67 mil toneladas de alimentos. Somente em 2024, foram 4,7 mil toneladas entregues no estado, alcançando mais de 331 mil pessoas em 158 municípios.
Além disso, o ritmo segue alto. No primeiro semestre de 2025, cerca de 2,3 mil toneladas chegaram a 662 instituições beneficiadas.
Como o alimento sai do campo e chega à mesa
O caminho começa nos doadores: centrais de abastecimento, como a Ceasa, supermercados, indústrias e também produtores rurais. Em seguida, as equipes do Sesc recolhem os alimentos e fazem a triagem, separando o que está próprio para consumo.
Depois disso, os produtos vão para os bancos de alimentos e seguem para entidades sociais cadastradas, como cozinhas solidárias, abrigos e associações comunitárias. No Ceará, há bancos em Fortaleza, que atende a capital e a Região Metropolitana; em Sobral, na Região Norte; em Iguatu, no Centro-Sul; e em Juazeiro do Norte, no Cariri.
Por isso, o programa alcança o interior, e não apenas a capital.
O que isso tem a ver com quem produz
Para o pequeno produtor, a perda pós-colheita, que é o alimento colhido e não vendido, é prejuízo silencioso. Fruta fora do padrão de tamanho, verdura com folha marcada ou produção que passou do ponto acabam, muitas vezes, no lixo.
Nesse sentido, o Mesa Brasil oferece outro destino. O alimento que não encontraria comprador encontra quem precisa. Assim, o esforço de quem plantou não se perde.
O nutricionista Romilso Lopes, que atua no Mesa Brasil do Ancuri, em Fortaleza, destacou ao Diário do Nordeste que os bancos de alimentos são fundamentais para reduzir os efeitos da desigualdade no acesso à comida no Ceará.
Da mesma forma, o programa também tem papel educativo. O Sesc promove atividades sobre aproveitamento integral dos alimentos, ensinando a usar cascas, talos e sementes que normalmente iriam para o lixo.
Quem ganha e quem precisa se adaptar
Ganham as instituições que recebem os alimentos e as famílias atendidas por elas. Por outro lado, ganham também os doadores, que deixam de pagar pelo descarte e veem sua produção cumprir uma função social.
Já o desafio está na logística. Alimento fresco tem pouco tempo de vida, e o interior cearense é extenso. Portanto, aproximar o produtor do banco de alimentos mais próximo é o próximo passo para que menos comida se perca no caminho entre a roça e a mesa.
Uma ponte que o AgroRaiz também quer construir
O Portal AgroRaiz existe para ligar o Brasil que produz ao Brasil que consome. O Mesa Brasil faz essa ponte todos os dias, caixa por caixa.
Nas próximas edições, vamos contar histórias de quem doa, de quem recebe e de quem transforma o excedente do campo em refeição.
Conteúdo produzido em parceria com o Sesc, patrocinador do Portal AgroRaiz.












