O AgroRaiz Cast gravou mais uma conversa que promete render um episódio dos bons. Desta vez, o convidado foi Queiroz Filho, deputado estadual pelo Ceará e candidato à reeleição, conhecido por sua atuação junto ao setor produtivo rural e por sua ligação pessoal com a vaquejada. O papo passou de uma hora. Além disso, reuniu temas que raramente aparecem juntos em uma mesma entrevista. Entre eles estão a regulamentação da pulverização agrícola por drones, a criação de suínos, a carcinicultura e a fruticultura de alto valor agregado. Nos próximos dias, o episódio completo será publicado. Enquanto isso, já é possível conhecer alguns dos principais momentos da conversa.
Quem é Queiroz Filho
Formado em Direito, Queiroz Filho construiu sua relação com o campo desde a infância, por meio de um sítio da família na região de Caucaia. Além disso, mantém até hoje vínculo direto com a vaquejada como vaqueiro.
Eleito deputado estadual em 2018, afirma representar um segmento pouco lembrado nas políticas públicas voltadas ao agro cearense: o produtor de médio porte. Segundo o parlamentar, esse agricultor já superou a agricultura de subsistência, mas ainda não possui a estrutura dos grandes exportadores. Por isso, enfrenta desafios específicos.
Pulverização por drone: uma proposta que ajudou a mudar a legislação
Um dos pontos altos da conversa foi o relato sobre o processo legislativo que resultou na regulamentação da pulverização agrícola por drones no Ceará. Antes disso, o estado convivia com restrições à pulverização aérea de agrotóxicos.
Segundo Queiroz Filho, esse cenário levava muitos produtores a recorrer às aplicações manuais com bombas costais. Na avaliação dele, essa alternativa expunha mais os trabalhadores ao contato direto com defensivos agrícolas do que uma operação realizada com drones devidamente regulamentados.
Depois, o deputado explicou que sua proposta foi incorporada ao texto final aprovado pela Assembleia Legislativa. Em seguida, o projeto unificado recebeu sanção do Governo do Estado.
O produtor de médio porte que “toma paulada dos dois lados”
Queiroz Filho chamou atenção para uma faixa de produtores que, segundo ele, permanece sem representatividade nas políticas públicas. Em outras palavras, trata-se daqueles que já deixaram a agricultura de subsistência para trás, mas ainda não alcançaram a escala dos grandes produtores.
Como exemplo, citou Moisés Maia, produtor que teria iniciado a atividade com apenas 15 litros de leite por dia. Hoje, ele produz cerca de dois mil litros diariamente. Além disso, parte da família se formou em Medicina Veterinária e atua diretamente na propriedade.
Para Queiroz Filho, esse perfil de produtor precisa de assistência técnica qualificada. Também necessita de infraestrutura básica, perfuração de poços e melhores vias rurais para continuar crescendo.
Carcinicultura, pitaia e o potencial das sementes de alta genética
Outro tema importante da entrevista foi o potencial produtivo do Ceará.
Queiroz Filho destacou a carcinicultura, atividade que coloca o estado entre os principais produtores brasileiros de camarão. Além da produção, a cadeia movimenta fábricas de ração, laboratórios e câmaras frias.
O deputado também citou a produção de pitaia no Tabuleiro de Russas. Segundo ele, a fruta pode alcançar preços de até R$ 60 por quilo no varejo, dependendo do mercado e da época do ano.
Além disso, defendeu uma estratégia que considera pouco explorada: transformar o Ceará em um polo produtor de sementes de alta genética para culturas como a soja. Na avaliação dele, a janela climática do estado pode representar uma oportunidade para esse mercado, já que ocorre em período diferente da entressafra das principais regiões produtoras do país.
Vaquejada: tradição, regulamentação e evolução
Como vaqueiro, Queiroz Filho também falou sobre a evolução da vaquejada nos últimos anos.
Segundo ele, a atividade passou por importantes mudanças relacionadas ao bem-estar animal. Entre elas estão a adoção do protetor de cauda, conhecido como rabo artificial, a presença obrigatória de fiscalização veterinária durante as competições e o fim do uso do chicote nas pistas.
Além disso, o deputado comentou a aprovação da legislação que instituiu o Passaporte Equestre no Ceará. De acordo com ele, a medida reduz a necessidade de emissão repetida das Guias de Trânsito Animal (GTAs) para cada competição, cavalgada ou evento equestre. Assim, a rotina dos criadores se torna mais simples.
Embrapa Caprinos e o desafio da caprino-ovinocultura
Outro ponto abordado foi a atuação da Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral, referência nacional na pesquisa voltada à criação desses animais.
Segundo Queiroz Filho, muitos produtores têm enfrentado prejuízos provocados por ataques de cães aos rebanhos. Como consequência, alguns acabam abandonando a atividade. Na avaliação do parlamentar, esse problema exige soluções técnicas e maior atenção das autoridades para garantir a continuidade da caprino-ovinocultura no estado.
Um panorama do agro cearense
Ao longo da entrevista, Queiroz Filho apresentou exemplos que, na visão dele, demonstram a diversidade do agronegócio cearense. Ao mesmo tempo, defendeu investimentos em inovação, infraestrutura e assistência técnica como caminhos para fortalecer produtores de diferentes portes e ampliar a competitividade do setor.
Por fim, o AgroRaiz Cast publicará em breve a entrevista completa, apresentada por Diego Trindade e Alexandre Fontelles. Nela, o público poderá conhecer mais detalhes sobre os desafios, as oportunidades e as perspectivas para o futuro do agronegócio cearense.












