Eproce

Corecon e EPROCE

José Wandemberg Rodrigues Almeida não é um presidente de conselho que fala do alto de um cargo. Reeleito à frente do Corecon-CE (Conselho Regional de Economia do Ceará), ele construiu sua trajetória entre o Banco do Nordeste, as salas de aula e os corredores da SUDENE. Conhece o Nordeste de dentro. E foi exatamente com […]

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José Wandemberg Rodrigues Almeida não é um presidente de conselho que fala do alto de um cargo. Reeleito à frente do Corecon-CE (Conselho Regional de Economia do Ceará), ele construiu sua trajetória entre o Banco do Nordeste, as salas de aula e os corredores da SUDENE. Conhece o Nordeste de dentro. E foi exatamente com esse olhar que ele recebeu Diego Trindade no seu podcast: advogado, produtor rural e uma das vozes mais ativas do EPROCE no agronegócio cearense.

O encontro entre os dois não foi protocolar. Diego fez um convite simples e direto: “O EPROCE está de portas abertas para todos os economistas, para o Corecon e todos que queiram agregar e se unir.” Era o reflexo de uma movimentação real, com potencial de impacto concreto para quem vive da terra no Ceará.

Por que essa parceria com o Corecon-CE importa

A aproximação entre EPROCE e Corecon-CE dá um passo além do que o movimento já faz. Quando economistas passam a integrar essa rede de apoio ao agronegócio, o produtor rural ganha aliados que podem traduzir o que as oscilações do mercado significam na prática: para o preço do feijão, para a negociação de crédito, para o planejamento da próxima safra.

Não é teoria. É o tipo de suporte que costuma chegar tarde, ou nunca, para o produtor familiar do interior. E é exatamente o que o EPROCE busca mudar: cada produtor que se cadastra no movimento torna-se parte ativa de uma rede que cresce organicamente, conectada por encontros, eventos e ações territoriais.


“Quer chegar? Chegue. Quer sair? Saia.”

Essa frase, dita por Diego com leveza no podcast, revela muito sobre o espírito do EPROCE. Não é uma entidade fechada, de acesso restrito ou agenda burocrática. É um espaço construído na lógica da união voluntária: quem chega, chega porque quer contribuir. Quem fica, fica porque encontra valor real nessa troca.

Para o produtor rural, essa abertura tem um significado que vai além da formalidade. Historicamente, as instituições que deveriam apoiar o campo chegaram com formulários, com condicionalidades, com o peso de uma linguagem que afasta mais do que aproxima. Uma organização que se apresenta como “aberta a quem quiser agregar” inverte essa lógica, e é exatamente isso que o produtor cearense precisa encontrar mais.


O produtor rural cearense no centro da equação

O Ceará concentra alguns dos contrastes mais intensos do agronegócio brasileiro. É um estado que tem, ao mesmo tempo, produtores que adaptaram técnicas centenárias às condições do semiárido e outros que enfrentam, safra após safra, a combinação de seca, crédito escasso e assistência técnica insuficiente.

Nesse contexto, uma aliança entre EPROCE e Corecon não é evento de calendário: é sinal de que o ecossistema de apoio ao produtor pode estar se reorganizando. Quando economistas e entidades de desenvolvimento passam a dialogar de forma mais próxima com quem está na ponta da cadeia produtiva, as decisões ficam menos distantes da realidade do campo.

Diego Trindade, ao transitar entre os dois mundos (o do direito e o da produção rural), representa exatamente o tipo de perfil que essa articulação precisa: alguém que conhece a linguagem técnica e não esqueceu o cheiro da terra. Wandemberg, com sua passagem pelo BNB e pela SUDENE, traz a mesma capacidade de conectar o técnico ao humano.


O que muda a partir daqui

Essa aproximação entre EPROCE e Corecon ainda está no começo. Mas algumas implicações já são visíveis:

Para o produtor rural: acesso potencial a análises econômicas que ajudem a planejar melhor, entender o mercado e negociar em melhores condições.

Para os economistas: a oportunidade de aplicar o conhecimento técnico em um setor que movimenta bilhões no Ceará, mas que raramente tem esse tipo de suporte qualificado chegando até ele.

Para o campo cearense como um todo: uma rede de colaboração que, se se consolidar, pode gerar representação mais forte e voz mais clara nos espaços onde as políticas agrícolas são definidas.

O convite está feito. A porta está aberta. O próximo passo depende de quem decide entrar.

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