Sem diretoria, produtores resistem e constroem diálogo legítimo no agro cearense
EPROCE fortalece produtor rural ao reunir lideranças e representantes do campo cearense em torno de um propósito comum: ampliar o diálogo, defender os fatores rurais e fortalecer a legitimidade do agro no Ceará. A declaração foi feita nesta semana pelo produtor rural Alexandre Fontelles durante encontro do grupo.
A mobilização acontece em um momento em que o agronegócio cearense amplia sua importância econômica e social. Segundo dados do IBGE e da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará, milhares de famílias dependem diretamente da agricultura, da pecuária e das cadeias produtivas rurais espalhadas pelo semiárido e pelas regiões serranas do estado.
União de produtores fortalece o agro cearense
Durante a fala, Alexandre Fontelles destacou que o EPROCE nasce da união de instituições, produtores e representantes do setor, sem estrutura formal de diretoria ou CNPJ. Segundo ele, o movimento existe justamente para congregar forças e ampliar a representatividade do campo de maneira democrática.
“O EPROCE é o somatório de todos nós. Não tem nem terá CNPJ, porque nós já temos nossas instituições. Não tem nem terá diretoria. O que existe é essa congregação de todos, essa união de forças”, afirmou o produtor rural.
A declaração reforça uma característica que vem ganhando espaço no agro brasileiro: movimentos horizontais formados por produtores que buscam mais participação nas decisões que impactam diretamente o campo. Em vez de centralizar lideranças, iniciativas como o EPROCE priorizam o diálogo entre diferentes setores do agro.
Diálogo rural ganha força entre produtores do Ceará
Para quem vive da produção rural, o fortalecimento de espaços coletivos pode representar mais capacidade de articulação diante de temas como crédito, infraestrutura, clima, segurança hídrica e valorização da produção local. No Ceará, onde boa parte da produção está ligada à agricultura familiar e aos pequenos e médios produtores, a união do setor se tornou pauta estratégica.
Alexandre Fontelles também afirmou que o propósito do grupo é “melhorar a mentalidade da sociedade, buscando prosperar com legitimidade e apertar o diálogo, respeitando sempre o contraditório e defendendo os fatores rurais”.
A fala ecoa uma demanda crescente do campo nordestino: aproximar o Brasil urbano da realidade de quem produz alimento. Mais do que discutir mercado, o movimento busca fortalecer a percepção social sobre o papel econômico, cultural e humano do produtor rural.
Legitimidade rural aproxima campo e sociedade
O avanço de movimentos coletivos no agro também mostra uma mudança na comunicação do setor. O produtor deixa de aparecer apenas como elo produtivo e passa a ocupar espaço de fala sobre desenvolvimento, identidade rural e futuro econômico do interior. No Ceará, iniciativas como o EPROCE surgem em meio ao crescimento dos debates sobre sucessão familiar, permanência do jovem no campo e fortalecimento das cadeias produtivas regionais. A tendência é que o diálogo entre produtores, sociedade e instituições continue ganhando força nos próximos anos.
O Portal AgroRaiz seguirá acompanhando os movimentos que nascem do próprio campo e ajudam a construir um agro mais humano, representativo e conectado com a realidade de quem produz e de quem consome.