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Do Exército ao pódio em Dubai: a linhagem árabe do Haras Engenho volta a leilão em agosto

Plantel iniciado com cavalos da antiga remonta do Exército em Campo Grande fez de Laucidio Coelho referência nacional na raça; leilão bienal está marcado para 15 de agosto A criação de cavalos árabes mais conhecida de Mato Grosso do Sul nasceu de uma circunstância burocrática. Quando a Embrapa foi criada, nos anos 1970, a área […]

Entrevista em estúdio de podcast sobre criação de cavalos árabes e pecuária

Plantel iniciado com cavalos da antiga remonta do Exército em Campo Grande fez de Laucidio Coelho referência nacional na raça; leilão bienal está marcado para 15 de agosto

A criação de cavalos árabes mais conhecida de Mato Grosso do Sul nasceu de uma circunstância burocrática. Quando a Embrapa foi criada, nos anos 1970, a área da remonta do Exército em Campo Grande foi destinada à pesquisa, e os militares precisaram vender sua criação de cavalos árabes. “Eu tive a sorte de adquirir alguns animais árabes do Exército e gostei demais, gostei mesmo”, contou o pecuarista Laucidio Coelho em entrevista ao podcast AgroRaiz Cast, gravada na sede da Acrissul, em Campo Grande, em parceria com o jornal A Crítica. “Hoje, a minha distração principal são meus cavalinhos.”

A “distração” virou uma das seleções mais respeitadas do país. O Haras Engenho, na Fazenda Engenho — propriedade histórica da família na região de Maracaju, que completou 50 anos em 2024 —, realizou seu primeiro leilão exclusivo em 1989 e hoje reúne criadores de vários estados e do exterior. A próxima edição do leilão, realizado a cada dois anos, está marcada para 15 de agosto. “A gente tenta vender só o que é de melhor. Um ano a produção fica para nós, e no outro a gente põe para os amigos, para os entusiastas do cavalo árabe”, explicou o criador.

O plantel combina a base herdada do Exército com importações feitas ao longo de décadas de viagens. “Eu já consegui trazer cavalos da Polônia, trouxe cavalo da Arábia Saudita, dos Estados Unidos”, enumerou. A aquisição mais recente é o garanhão Javier, importado dos Estados Unidos, cujos primeiros filhos foram bem avaliados na exposição de abril e estarão entre os lotes ofertados. O feito de maior repercussão internacional, porém, veio de um animal vendido: um cavalo negociado para Dubai que se tornou campeão mundial de enduro, na distância clássica de 160 quilômetros.

Coelho Neto vê a raça em transição — do trabalho para o esporte. “O cavalo vem perdendo a importância que tinha no passado como ferramenta de trabalho, mas vem aparecendo esse lado novo, que são os esportes”, observou, sem abrir mão da defesa do árabe na lida: “Ele aprende a gostar do boi e trabalha muito bem. É um cavalo muito voluntarioso, muito inteligente. É um prazer andar num cavalo árabe.”

O leilão também cumpre, segundo ele, um papel que não aparece no catálogo. “O fazendeiro trabalha cada um num canto, tem pouca possibilidade de convivência com seus pares. O leilão serve também como reunião — ele vem ver os touros, comprar suas vacas, e ao mesmo tempo encontra os colegas e troca ideias. O desenvolvimento está muito ligado à troca de ideias.”

Fonte: A Crítica

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