A valorização da biodiversidade cearense, da agricultura familiar e da segurança alimentar tem ganhado espaço nas ações desenvolvidas pelo Senac Ceará. Por meio dos projetos Panã e Grolado, a instituição conecta gastronomia, educação e sustentabilidade em iniciativas que fortalecem a cultura alimentar do estado e incentivam o aproveitamento integral dos alimentos.
Segundo a consultora de Gastronomia do Senac Ceará, Vanessa Santos, os projetos surgiram em momentos diferentes, mas possuem objetivos complementares. “O Grolado nasceu da necessidade de aproximar crianças e jovens da cultura alimentar do Ceará, despertando um olhar mais atento para a sociobiodiversidade e para escolhas de consumo mais conscientes. Já o Panã surge posteriormente, como consequência do fortalecimento da política de aquisição de insumos da agricultura familiar pelo Sistema Fecomércio”, explica.
Editado pelo Senac Ceará, o Grolado é uma cartilha com receitas simples, elaboradas a partir de ingredientes da biodiversidade regional. Voltada principalmente para estudantes do ensino fundamental e médio, além de alunos do Sesc e do Senac, a publicação utiliza linguagem acessível e abordagem lúdica para incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e aproximar as pessoas do ato de cozinhar.
Além das receitas, o material promove reflexões sobre sustentabilidade, identidade cultural e segurança alimentar. “Apesar da simplicidade das receitas, existe técnica, pesquisa e muita vivência por trás de cada preparo. O projeto carrega memória afetiva e nasce da valorização daquilo que vem da nossa terra”, destaca a chef Nilza Mendonça, reconhecida pelo trabalho de valorização da cultura regional cearense.
Em 2025, quase 4 mil exemplares da cartilha foram distribuídos gratuitamente em ações educativas e eventos promovidos pelo Sistema Fecomércio Ceará.
Mapeamento e identificação
Já o Panã atua no mapeamento e identificação de espécies alimentares com potencial de cultivo e comercialização no Ceará, fortalecendo o reconhecimento de agricultores familiares e comunidades tradicionais. O projeto também aproxima ingredientes regionais da gastronomia profissional, estimulando pesquisas, práticas pedagógicas e novos mercados para os insumos locais.
“O projeto amplia a visibilidade dos agricultores e grupos tradicionais que abastecem o estado, fortalecendo seu reconhecimento social e econômico”, afirma Vanessa Santos.
As iniciativas dialogam diretamente com temas como preservação da biodiversidade, consumo consciente e fortalecimento da identidade cultural cearense. Atualmente reconhecido como a maior escola de gastronomia do país, o Senac Ceará contabilizou mais de 17 mil matrículas na área gastronômica no último ano, além de desenvolver projetos culturais e territoriais em diferentes regiões do estado.












