Teve técnica, teve troca de experiência e, além disso, teve poesia. Nesta sexta-feira (9), o Encontro do EPROCE de outubro reuniu produtores rurais, técnicos e parceiros na churrascaria Nativas Grill, em Fortaleza. Assim, a manhã girou em torno de um tema que ganha cada vez mais espaço no campo cearense: a produção de carne premium no Nordeste.
A abertura
Primeiramente, Alexandre [SOBRENOME], [CARGO], abriu o Encontro e deu as boas-vindas aos produtores. Em seguida, ele passou a palavra a Luís Girão, empresário e proprietário da Betânia.
Na sequência, Diego Trindade conduziu a programação. Depois, ele chamou ao palco os convidados da manhã: os médicos-veterinários e produtores rurais Natália Esteves Pacheco e Julliano Viana Pacheco.
Do Pampa ao mandacaru
Um dos momentos mais bonitos da manhã veio, sem dúvida, pela voz da Natália. Ela tem formação no Pampa e hoje produz no semiárido. Por isso, apresentou um poema que costurou os dois mundos: os campos do Sul, onde aprendeu a pecuária, e o mandacaru, símbolo de quem resiste e produz no sertão.
Dessa forma, o poema traduziu em versos o espírito da palestra. Afinal, a proposta não é copiar o modelo do Sul, mas sim unir o que cada terra tem de melhor.
O que foi falado na palestra
Na palestra, Natália e Julliano defenderam que carne premium não começa na engorda. Para eles, portanto, a qualidade nasce de um sistema em que genética, reprodução, nutrição, sanidade, manejo, informação e mercado funcionam juntos.
Logo depois, os palestrantes lançaram uma provocação para a plateia: a sua propriedade produz o que consegue produzir ou produz o que decidiu vender?
A partir daí, eles apresentaram os pilares do programa que desenvolvem:
- Genética Brangus: a raça une a qualidade de carne do Angus com a rusticidade do Zebu. Mesmo assim, os dois reforçaram que raça não substitui manejo.
- O bezerro como primeiro produto: a meta, por exemplo, é desmamar um bezerro com cerca de 40% do peso da mãe, com a vaca já prenhe de novo.
- Estação de monta casada com o pasto: dessa maneira, o nascimento e a amamentação coincidem com o período das chuvas.
- Reserva de alimento: o produtor prepara feno, silagem, suplementação e alimentos regionais antes da seca, ou seja, como estratégia e não como emergência.
- Sanidade no ritmo do rebanho: o calendário de vacinas, portanto, acompanha o ciclo reprodutivo, e não a folhinha da parede.
- Rastreabilidade e padrão: cada animal tem seu histórico, enquanto a carcaça funciona como o relatório final da fazenda. Além disso, o resultado precisa se repetir lote após lote.
Por fim, Julliano e Natália mostraram um caminho em seis etapas para quem quer começar: diagnóstico, planejamento, implantação, medição, ajuste e mercado. Segundo os palestrantes, não existe receita única. Por isso, o produtor precisa entender a própria propriedade antes de qualquer mudança.
Troca entre quem produz e quem estuda a produção
Depois da apresentação, os produtores aproveitaram para tirar dúvidas e também compartilhar a realidade de suas propriedades. Assim, a manhã terminou com uma conversa franca sobre os desafios de produzir com qualidade no clima do semiárido.
As perguntas que ficaram
Antes de encerrar, a palestra deixou duas perguntas para cada produtor levar para casa: qual animal a sua propriedade quer produzir? E, sobretudo, para qual mercado?
Por tudo isso, o EPROCE agradece a todos que participaram. Agradecemos também a Natália e Julliano pela generosidade em compartilhar seu conhecimento e, principalmente, a cada produtor que fez desta manhã uma verdadeira troca. Enfim, nos vemos no próximo Encontro!























