Xico Graziano

Ideologia, política e moral: as 3 forças que catapultaram Flávio Bolsonaro

Rejeição ao petismo e reação contra decisões de ministros do STF e do TSE impulsionam o avanço da direita “O lulismo exagerou em suas maldades e em suas mentiras; achou que podia tudo, ganhou quase nada”, diz o articulista Os resultados eleitorais indicam que 3 forças extraordinárias se uniram para fazer Flávio Bolsonaro sobrepujar Lula […]

Ideologia, política e moral: as 3 forças que catapultaram Flávio Bolsonaro

Rejeição ao petismo e reação contra decisões de ministros do STF e do TSE impulsionam o avanço da direita

“O lulismo exagerou em suas maldades e em suas mentiras; achou que podia tudo, ganhou quase nada”, diz o articulista

Flávio Bolsonaro

Os resultados eleitorais indicam que 3 forças extraordinárias se uniram para fazer Flávio Bolsonaro sobrepujar Lula neste 1º turno de 2026: a ideológica, a política e a moral.

As 3 forças de Flávio Bolsonaro no 1º turno

Ideológica. O bolsonarismo mudou completamente o eixo político na sociedade brasileira. Desde a redemocratização, vimos o predomínio da esquerda, social-democrata e socialista.

Agora, ficou claro: é a direita, liberal ou radical, quem mais capitaliza a aspiração popular, especialmente no Brasil liderado pelo Sudeste-Sul. Direita virou sinônimo de liberdade econômica e progresso; esquerda, de atraso e esmolas públicas.

Política. O antilulismo teve papel decisivo na enxurrada de votos direcionada ao campo azul, antecipando decisões do 2º turno para o 1º. A forte reação contra a candidatura de Lula foi provocada pelas próprias insanidades verbais dele durante a campanha, algumas graças à senilidade, outras à soberba. Lula cansou o eleitorado.

Janja pouco ajudou seu marido a ganhar votos, mais tirando que dando com seu jeito deslumbrado de ser. Teve também Roberta, a pilantra, pagando viagens para Lulinha, que virou prato cheio para a rejeição.

Moral. Houve uma reação das pessoas de bem, gente sensata, pacata e ordeira, contra o predomínio da insensatez, da impunidade e da indecência, expresso nas canetadas de juízes do STF e do TSE, nas emendas Pix do Congresso Nacional e na adesão de congressistas do Centrão ao governo petista.

Daniel Vorcaro comprou a consciência de muitos vagabundos de colarinho branco, mas redespertou, na sociedade, um sentimento de horror à corrupção. A eleição de Sergio Moro bem o expressa. O exemplo vem de cima, e de cima vieram revoltantes barbaridades.

O papel do STF e do TSE

Um capítulo à parte pode ser escrito sobre o comportamento de alguns ministros do STF. Com a ordem de submergir, Dias Toffoli já havia sido colocado de escanteio, substituído por André Mendonça no inquérito do Banco Master.

Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, porém, continuaram a deitar e rolar em sua prepotência, como se seus poderes fossem infinitos. Atuaram como donos do mundo, impropérios vomitaram.

Suas decisões monocráticas, claramente destinadas a afetar o processo eleitoral em favor de Lula, irritaram a cidadania. Foram escandalosamente parciais, auxiliados por seus prepostos no TSE.

Proibir o televisionamento da cadeira vazia de Lula no debate da TV Globo, bem como, na ausência, direcionar-lhe perguntas, significou um ato de censura tão grotesco quanto a cena de Carla Zambelli correndo com revólver atrás daquele jornalista em 2022. Essa ministra do TSE/Psol, Estela Aranha, deveria ser processada e presa, por atentado contra o Estado democrático de direito.

Floriano de Azevedo Marques, sabido cupincha de Gilmar Mendes no TSE, ao cassar o registro de Deltan Dallagnol na noite de sábado (3.out.2026), a poucas horas do pleito, praticou um ato do tipo terrorista. Sua desfaçatez, ao contrário do que seus mentores supuseram, rendeu uma enxurrada de votos a Deltan e a Sergio Moro. Perguntem para a Gleisi Hoffmann o resultado.

Ação e reação: o doce que passou do ponto

Existe uma lei geral da física que explica essa lógica política no avesso. Diz a 3ª lei de Newton: “A cada ação de força, corresponde uma reação equivalente, em sentido contrário”. Vimos ocorrer. A cada canetada do STF, mais gente era empurrada para o colo de Flávio Bolsonaro.

No interior, caipiras como eu sabem que doce, quando passa do ponto no tacho, perde qualidade, desanda. Na política, em épocas eleitorais especialmente, também existe a dose certa. O lulismo exagerou em suas maldades e em suas mentiras. Achou que podia tudo, ganhou quase nada.

Derrotas que viram a página

Em São Paulo, lançou duas candidatas forasteiras ao Senado, Simone Tebet e Marina Silva. Independentemente da qualidade de cada uma delas, o gesto significou um acinte ao brio dos paulistas. O que fizeram pelo Estado, que ligações locais mantinham, para se julgar merecedoras do voto bandeirante? Abriram a porta do desemprego.

Aécio Neves, Renan Calheiros e Ciro Nogueira perderam suas eleições ao Senado. José Dirceu, que prometeu dar a volta por cima, caiu na ribanceira. João Campos, a promessa da nova esquerda, está perdido em Recife. Tiririca, tchau. E o Datena, hein?

Virou uma página da política brasileira.

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