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Tempo seco adianta a colheita no Centro-Oeste, mas chuva em excesso liga o alerta para o trigo no Sul

O sol forte seca a espiga no talo em Mato Grosso e no Piauí. Ao mesmo tempo, o produtor gaúcho olha para o céu carregado com outra preocupação, porque chuva demais também tira o sono de quem trabalha a terra. Esse contraste marca o fechamento de agosto no campo brasileiro. Os dados são da Companhia […]

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O sol forte seca a espiga no talo em Mato Grosso e no Piauí. Ao mesmo tempo, o produtor gaúcho olha para o céu carregado com outra preocupação, porque chuva demais também tira o sono de quem trabalha a terra. Esse contraste marca o fechamento de agosto no campo brasileiro. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), referentes ao período de 1º a 24 do mês.

Tempo seco favorece milho e algodão

No Centro-Oeste e no Sudeste, o tempo seco fez o que a lona e o sol sempre fizeram. Assim, ele secou o grão no talo e liberou a colheita. Por isso, o milho segunda safra e o algodão avançaram com qualidade acima do esperado. Em Mato Grosso, maior produtor de algodão do país, a colheita já está adiantada. Além disso, a produtividade supera a do ciclo anterior. No Piauí, os rendimentos também ficaram acima do previsto, puxados principalmente pelas áreas irrigadas. Ou seja, investimento em infraestrutura continua sendo o que separa uma boa safra de uma safra apertada.

No Paraná, a história muda de rumo no meio do mês. O excesso de umidade tinha travado a colheita do milho entre o fim de julho e o começo de agosto. Porém, quando a chuva deu trégua, o trabalho retomou o ritmo. Assim, os produtores alcançaram 73% da área semeada. Já em Mato Grosso, a colheita do milho segunda safra foi encerrada com produtividade elevada. Esse resultado veio do clima favorável, somado ao manejo investido pelo produtor ao longo do ciclo.

Chuva liga alerta para o trigo no Sul

No Sul, o cenário se inverte por completo. No Rio Grande do Sul, chuva intensa, umidade alta e pouco sol se somam. Essa combinação preocupa quem planta trigo, porque cria o ambiente ideal para doenças na lavoura. No Paraná, as lavouras de trigo pioraram levemente, mas seguem em boas condições. Ainda assim, a umidade favorece fungos como o oídio (um mofo branco que ataca a folha) e a giberela (doença que compromete a espiga e a qualidade do grão). Em Mato Grosso do Sul, a brusone (outro fungo que atinge principalmente a espiga) já causou perdas nas regiões Sul e de fronteira. Apesar disso, variedades mais resistentes seguraram parte do resultado.

Nordeste sem irrigação sente a falta de chuva

No Nordeste fora do recorte irrigado, a safra conta outra história, a da escassez. Em Sergipe, a falta de chuva empurrou parte da produção de milho terceira safra para silagem, alimento para o gado no lugar do grão para venda. Na Bahia, a estiagem reduziu o potencial produtivo no nordeste do estado. Enquanto isso, o oeste baiano, que é irrigado, segue com bom desenvolvimento. Em Alagoas, a chuva irregular repetiu o padrão. Ou seja, parte da lavoura virou pasto e silagem antes mesmo de chegar à colheita.

O que muda para o pequeno produtor

Esse quadro mostra, na prática, que o Brasil agrícola vive dois climas ao mesmo tempo. E quem sente essa diferença primeiro é o pequeno e o médio produtor, porque não tem margem para compensar uma quebra de safra com escala. Por outro lado, quem investiu em irrigação, do Piauí ao oeste baiano, colhe a vantagem de driblar o tempo. Já quem depende só da chuva segue refém do calendário que a natureza decide sozinha.

Para os próximos ciclos, a Conab já sinaliza o ponto de atenção: a distribuição das chuvas no Sul, especialmente para o trigo, e a regularidade das precipitações no Nordeste, para as lavouras que ainda dependem só do céu. É esse equilíbrio, entre seca e excesso, que vai definir o tamanho da mesa brasileira nos próximos meses.

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