Diego Trindade

Capivaras no campo: guia protege produtor contra risco sanitário

Produtor rural resiste aos prejuízos causados por capivaras e cobra ação pública Capivaras no campo passaram a representar um problema sanitário e econômico para produtores rurais em diversas regiões do Brasil. A expansão da espécie elevou os casos de degradação de pastagens, infestação de carrapatos e riscos de doenças graves, levando o EPROCE a lançar […]

Produtor rural observa capivaras próximas à área de pastagem em propriedade rural

Produtor rural resiste aos prejuízos causados por capivaras e cobra ação pública

Capivaras no campo passaram a representar um problema sanitário e econômico para produtores rurais em diversas regiões do Brasil. A expansão da espécie elevou os casos de degradação de pastagens, infestação de carrapatos e riscos de doenças graves, levando o EPROCE a lançar uma cartilha jurídica e técnica para orientar produtores sobre como agir dentro da legalidade.
Nos últimos anos, relatos de prejuízos em lavouras e propriedades rurais se intensificaram. Além dos danos materiais, o avanço das capivaras aumentou a preocupação com doenças transmitidas pelo carrapato-estrela, especialmente a febre maculosa, considerada uma das enfermidades mais perigosas associadas ao ambiente rural brasileiro. O tema deixou de ser apenas ambiental e passou a envolver saúde pública e segurança sanitária no campo.

Febre maculosa aumenta alerta nas propriedades rurais

A cartilha elaborada pelo EPROCE alerta que a presença descontrolada das capivaras favorece a proliferação do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. A doença pode provocar febre alta, manchas pelo corpo e complicações severas que colocam em risco trabalhadores rurais, famílias e animais das propriedades.
Além disso, o material cita riscos ligados à leptospirose, salmonelose e outros parasitas associados à convivência sem controle sanitário adequado. Para muitos produtores, o problema já impacta diretamente a rotina no campo.
“Hoje o produtor vive entre o prejuízo e o medo de agir errado. A cartilha busca justamente orientar sobre o que pode ser feito legalmente”, afirma o advogado Diego Trindade, coordenador do EPROCE. A declaração resume a insegurança enfrentada por produtores que convivem diariamente com os impactos da infestação.

Manejo de capivaras exige autorização ambiental

O material reforça que a capivara é um animal silvestre protegido pela Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Isso significa que o abate sem autorização dos órgãos competentes pode gerar multa e responsabilização criminal.
Segundo a cartilha, qualquer controle populacional deve ocorrer por meio de manejo técnico autorizado pelos órgãos ambientais. Por isso, o produtor é orientado a documentar prejuízos, registrar fotos e vídeos, comunicar oficialmente os órgãos responsáveis e solicitar medidas formais de controle.
Entre as orientações preventivas estão o reforço de cercas, monitoramento constante de carrapatos, limpeza de áreas de abrigo e controle de acesso das capivaras a pontos de água dentro das propriedades.

Omissão do poder público entra no centro do debate

Outro ponto destacado pelo documento é a possibilidade de responsabilização do poder público em casos de omissão diante de riscos sanitários recorrentes. A cartilha explica que produtores podem formalizar denúncias, acionar o Ministério Público e buscar medidas judiciais quando houver ausência de resposta dos órgãos municipais ou estaduais.
Para o homem do campo, a principal mudança prática é a possibilidade de agir com mais segurança jurídica diante de um problema que vinha sendo tratado apenas como questão ambiental. O material busca evitar ações ilegais e orientar o produtor sobre caminhos técnicos e legais disponíveis.
O avanço das capivaras no campo mostra como a realidade rural exige equilíbrio entre preservação ambiental, proteção da saúde pública e defesa da produção agrícola. O Portal AgroRaiz seguirá acompanhando os impactos desse cenário e as soluções debatidas por produtores, especialistas e autoridades em todo o Brasil.
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