Quando o algodão abre na lavoura de Sapezal, no oeste de Mato Grosso, o campo inteiro fica branco. É dali, e não de uma metrópole, que vem a nova capital do agro brasileiro. A cidade tem pouco mais de 32 mil habitantes e, pela primeira vez, lidera o ranking nacional de valor da produção agrícola, com R$ 8,59 bilhões em 2025.
“Valor da produção” é o dinheiro que toda a colheita de um município rende: o que foi colhido, multiplicado pelo preço. Os números vêm da Produção Agrícola Municipal (PAM), pesquisa anual do IBGE. Com o resultado, Sapezal encerra uma sequência de seis anos de Sorriso (MT) no topo.
Por que Sapezal virou a capital do agro?
A resposta tem nome: algodão. Dos R$ 8,59 bilhões, cerca de R$ 5,13 bilhões vieram da cultura, quase 60% de tudo o que as lavouras da cidade renderam. Foram aproximadamente 1,2 milhão de toneladas. Na maioria das grandes potências agrícolas do país, quem manda é a soja. Em Sapezal, é diferente.
A soja, claro, também pesou: cerca de R$ 2,8 bilhões. O milho somou R$ 656,9 milhões. Em relação ao ano anterior, o valor da soja cresceu 51,4% e o do milho, 58,1%. No total, a produção de Sapezal passou a valer 46,6% mais em um ano. Esse é o valor nominal, ou seja, sem descontar a inflação.
O que aconteceu com Sorriso?
Sorriso não perdeu força. A cidade fechou 2025 com R$ 8,16 bilhões, acima dos cerca de R$ 7,2 bilhões do ano anterior, e mesmo assim caiu para o terceiro lugar. Parte da explicação está no mapa.
A criação de Boa Esperança do Norte, com terras que eram de Sorriso e de Nova Ubiratã, reduziu em 9,3% a área plantada contabilizada em Sorriso, principalmente de soja, algodão e feijão. Em outras palavras, o desmembramento (quando um pedaço do território vira município novo) mexeu na conta.
E o Nordeste nessa disputa?
O pódio tem uma cidade nordestina. São Desidério, no oeste da Bahia, ficou em segundo, com R$ 8,22 bilhões. Só cerca de R$ 370 milhões separam a cidade baiana da campeã. Em quarto vem Campo Novo do Parecis (MT), com R$ 7,87 bilhões. Mato Grosso ainda colocou cinco municípios entre os dez primeiros e chegou a R$ 165,6 bilhões em valor da produção agrícola no estado.
Para o Ceará, o algodão traz memória. Já foi o “ouro branco” do sertão cearense, até a praga do bicudo devastar as lavouras do Nordeste, nos anos 1980. Depois disso, boa parte da produção migrou para o Cerrado. Ver o oeste baiano brigando pelo topo mostra que a cultura mudou de endereço, mas não perdeu valor.
O que muda para o pequeno produtor?
O ranking mede dinheiro, não tamanho. Um município sobe quando colhe mais, quando o preço ajuda ou nas duas coisas. Como o valor é nominal, parte do salto pode vir do preço, e não só da colheita.
Quem sai ganhando? Sapezal, a nova capital do agro, e o algodão brasileiro, que ganham vitrine. Quem precisa se adaptar? Quem compara rankings, porque o território dos municípios muda, como mostrou o caso de Sorriso. E o pequeno produtor, para quem a lição não está na escala, e sim na escolha da cultura e no acompanhamento do preço.
Um recorde espalhado pelo país
O agro brasileiro chegou a R$ 927,2 bilhões em valor da produção agrícola em 2025, um recorde, com alta nominal de 18,4%. Os dez municípios mais bem colocados somam R$ 65,9 bilhões, cerca de 7,1% do total. Sobram, portanto, cerca de 93% do valor espalhados por muitas outras cidades do país.
Qual cultura sustenta a sua cidade, e quanto ela rende para quem planta? Conte para o Portal AgroRaiz e acompanhe as próximas matérias sobre o mapa do agro visto de dentro da porteira.
Fontes: IBGE (Produção Agrícola Municipal 2025), com informações divulgadas pelo CompreRural.












