A 900 metros de altitude, a noite em São Benedito pede coberta. De manhã, porém, o sol forte da Ibiapaba aquece as estufas, e as flores respondem. Assim, crisântemos, rosas e girassóis crescem nesse ritmo de dia quente e noite fria, um clima que pouca gente associa ao Ceará.
Foi nesse ponto da serra que a Flora Fogaça fincou raiz. Fundada em 2003 por Cláudio Fogaça, a empresa saiu de uma pequena produção e hoje leva flores cearenses a outros estados do país. Além disso, a partir deste mês, a Flora Fogaça também passa a integrar o grupo de patrocinadores do Portal AgroRaiz.
Quem é a Flora Fogaça
Cláudio Fogaça nasceu em Holambra, no interior de São Paulo, cidade conhecida no Brasil inteiro como a capital das flores. Depois, ele chegou à Ibiapaba para trabalhar no setor e, com o tempo, deixou de ser empregado para virar dono do próprio negócio.
A sede fica na estrada de Carnaubal, em São Benedito. Hoje, a empresa trabalha com mais de 50 variedades, entre crisântemos, rosas, girassóis e folhagens. Além disso, a gestão já envolve a segunda geração da família: Matheus Fogaça divide com o pai a condução do negócio.
Para o produtor que olha de fora, no entanto, vale um esclarecimento. A Flora Fogaça não é revenda nem loja de insumos. Na verdade, ela é produtora rural: planta, cuida, colhe e vende o que sai das suas estufas.
Por que a Ibiapaba virou terra de flores
A floricultura chegou à serra no início dos anos 2000 e encontrou condições raras no Nordeste. Por um lado, a altitude garante noites frias. Por outro, a luminosidade do semiárido acelera o crescimento das plantas.
O resultado foi expressivo. Em 2007, por exemplo, a produção da região da Ibiapaba respondeu por 71% das flores exportadas pelo Brasil. Hoje, São Benedito é chamada de Cidade das Flores, e o setor movimenta empregos, comércio e até turismo, com um Festival de Flores todo mês de setembro.
O desafio de quem produz longe dos grandes centros
Flor é produto perecível e tem data certa para vender. Por isso, o planejamento pesa mais do que em quase qualquer outra cultura. Ou seja, plantar demais em uma semana significa sobra; plantar de menos significa perder o pico de vendas.
Cláudio Fogaça explicou esse desafio em entrevista ao portal Agrolink. Segundo ele, quem produz fora dos grandes centros de leilão de São Paulo não pode errar na programação do plantio, porque o erro aparece na colheita.
Em outras palavras, a floricultura exige que o produtor pense semanas à frente. Datas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Finados, portanto, definem o calendário das estufas com meses de antecedência.
O que a Flora Fogaça representa para o campo cearense
A história da Flora Fogaça mostra que o agro do Ceará vai muito além da seca e da subsistência. Na serra, inclusive, o pequeno e o médio produtor encontram na flor uma cultura de alto valor, que gera emprego o ano inteiro e mantém a renda dentro do interior.
Nesse sentido, ganham as famílias da Ibiapaba que trabalham nas estufas e no transporte. Ganham também os consumidores do Norte e do Nordeste, que passaram a receber flores mais frescas, sem esperar dias de viagem desde o Sul.
Por outro lado, o setor precisa seguir se adaptando. Afinal, logística refrigerada, custo de energia e concorrência com grandes polos exigem planejamento constante.
Uma raiz que floresce
O Portal AgroRaiz existe para contar a história de quem transforma a terra em sustento e em orgulho. Nesse contexto, a trajetória da Flora Fogaça, de um migrante de Holambra que virou referência na serra cearense, é exatamente esse tipo de história.
Nas próximas edições, então, vamos mostrar de perto quem trabalha nas estufas de São Benedito e como uma flor colhida na Ibiapaba chega até a mesa de quem compra.












