Natália Esteves Pacheco

Nossa bandeira continua erguida

Na segunda-feira depois das eleições, os animais precisam ser alimentados, a ordenha tem horário e o manejo continua. Há contas vencendo, equipes esperando orientação e decisões que não podem ser adiadas até que as expectativas sobre o futuro se acomodem. Depois das urnas, ficam sentimentos diferentes. Há quem comemore, quem se preocupe e quem procure […]

Nossa bandeira continua erguida

Na segunda-feira depois das eleições, os animais precisam ser alimentados, a ordenha tem horário e o manejo continua. Há contas vencendo, equipes esperando orientação e decisões que não podem ser adiadas até que as expectativas sobre o futuro se acomodem.

Depois das urnas, ficam sentimentos diferentes. Há quem comemore, quem se preocupe e quem procure entender o que vem pela frente. No campo, essas emoções encontram uma rotina que exige presença. O trabalho continua, acompanhado das responsabilidades que assumimos com a terra, com os animais e com as pessoas que dependem da produção.

É dessa continuidade que nasce minha esperança. De conhecer a disposição de quem enfrenta dificuldades e ainda encontra motivos para planejar a próxima safra, melhorar o rebanho e investir na propriedade. Existe confiança no futuro em cada decisão de plantar, selecionar uma matriz ou preparar um filho para assumir o negócio da família.

Essa confiança merece ser respeitada. Quem investe no campo compromete recursos, trabalho e tempo. Muitas decisões atravessam safras e mandatos. Uma pastagem precisa se estabelecer, uma fêmea precisa completar seu ciclo reprodutivo, uma estrutura precisa gerar retorno. Enquanto isso, as despesas continuam chegando.

Por isso, quando o produtor pede segurança para trabalhar, fala de algo concreto. Fala de conseguir planejar, cumprir seus compromissos e conhecer as condições em que poderá continuar produzindo. A incerteza entra no orçamento da propriedade: pode adiar uma melhoria, reduzir uma contratação ou fazer uma família desistir de um investimento.

O resultado das eleições precisa abrir espaço para essa conversa. Quem governa assume também a responsabilidade de ouvir o campo em sua diversidade, compreender suas necessidades e considerar os efeitos das decisões sobre a vida de quem produz.

Queremos reconhecimento, valorização e respeito. E precisamos dar significado a essas palavras.

Reconhecimento é considerar o conhecimento de quem acompanha diariamente a produção. É ouvir o produtor antes de definir medidas que ele terá de executar. É compreender que uma solução adequada para uma região pode precisar de ajustes em outra.

Valorização aparece nas condições de trabalho, no acesso à tecnologia e na possibilidade de obter uma remuneração que permita manter a atividade e investir. O amor pela terra sustenta nosso vínculo com o campo, mas a continuidade da produção também exige viabilidade.

Respeito se demonstra no diálogo, na clareza das regras e na seriedade com que os compromissos são tratados. Quem produz precisa cumprir suas responsabilidades e tem o direito de cobrar que o poder público cumpra as suas.

Seguir trabalhando não significa aceitar que esse esforço seja tratado como uma obrigação sem valor. A capacidade de enfrentar dificuldades não pode servir de justificativa para deixar o produtor enfrentá-las sozinho. Também precisamos ter cuidado para não transformar o desgaste permanente em motivo de orgulho. Queremos melhorar as condições de produzir, preservar as pessoas e construir negócios que possam continuar.

Por trás da palavra “agro”, há famílias, trabalhadores, técnicos e produtores de diferentes tamanhos, regiões e atividades. Há quem esteja começando, quem tente reorganizar as dívidas e quem prepare a próxima geração. Há experiências bem-sucedidas e dificuldades que precisam ser reconhecidas com honestidade.

Essa diversidade também aparece nas escolhas políticas. Não precisamos pensar da mesma forma para defender condições dignas e seguras de trabalho. Podemos discordar e, ainda assim, reconhecer no produtor ao nosso lado alguém que compartilha responsabilidades semelhantes às nossas.

É nesse ponto que nossa união precisa ganhar força. Erguer a bandeira do agro envolve participar das conversas que definem o futuro da atividade. Compartilhar experiências, fortalecer entidades, apresentar propostas e acompanhar decisões.

Uma dificuldade vivida dentro de uma propriedade pode revelar um problema que atinge muitas outras. Quando conseguimos explicá-la e nos organizar, ampliamos a possibilidade de buscar uma resposta.

Defender o setor exige também disposição para aperfeiçoá-lo. Cuidar das pessoas, dos animais, do solo e da água faz parte da responsabilidade de produzir. Mostrar esse compromisso fortalece nossa voz e dá consistência às cobranças que fazemos.

Estaremos atentos. Para reconhecer avanços, cobrar o que não foi entregue e apontar decisões que dificultem o trabalho. Essa postura precisa permanecer ao longo de todo o mandato, independentemente de quem tenha recebido nosso voto.

A esperança que desejo alimentar depois destas eleições é a de um campo que continue construindo e participe mais. Que encontre espaço para ser ouvido e tenha disposição para ocupar esse espaço. Que transforme preocupação em proposta e experiência em contribuição.

Estaremos aqui. Sob sol e chuva, de segunda a segunda, cuidando daquilo que depende de nós. Planejando, trabalhando e esperando que esse compromisso encontre reconhecimento, valorização e respeito nas escolhas de quem governa.

Nossa bandeira continua erguida. Seguiremos produzindo, com esperança e de olhos abertos.

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