Do curral ao camarão: sertanejo do Jaguaribe cria gigante do agro brasileiro
Camarão no Ceará se consolidou como uma das atividades mais rentáveis do agronegócio nordestino, segundo o empresário Cristiano Maia, durante entrevista ao podcast Diego Trindade, em Fortaleza. O produtor rural defendeu o fortalecimento da carcinicultura como alternativa econômica para o sertão e destacou a importância da gestão, da água e da tecnologia para garantir produtividade no semiárido.
Natural de Jaguaribara, no interior do Ceará, Cristiano Maia relembrou a infância no campo, marcada pela produção de leite, pelas secas recorrentes e pelo trabalho familiar. Hoje, ele lidera um grupo com fazendas de camarão, indústria de ração, produção leiteira e construtora rodoviária. Segundo o empresário, apenas suas fazendas produzem diariamente entre 50 e 60 toneladas de camarão, movimentando empregos e renda em diferentes regiões do Nordeste.
Produção de camarão cresce no semiárido nordestino
Durante a entrevista, Cristiano afirmou que o camarão se tornou “o boi do Ceará”, pela capacidade de gerar retorno financeiro superior a outras atividades tradicionais. Ele explicou que o estado já ultrapassa 60 mil toneladas anuais de produção e que o consumo interno brasileiro segue em crescimento. Para o produtor, o diferencial está na adaptação da atividade ao clima quente e na demanda constante do mercado nacional.
“O camarão gosta de água e calor. O Ceará produz o ano inteiro. Se produzir com qualidade, vende”, afirmou Cristiano Maia ao explicar por que a atividade atrai cada vez mais produtores rurais do interior.
O empresário também alertou que a atividade exige planejamento técnico. Segundo ele, o produtor precisa calcular evaporação, disponibilidade hídrica e manejo do solo antes de investir em viveiros. Ainda assim, acredita que regiões próximas aos estuários cearenses possuem potencial estratégico para expansão da carcinicultura.
Seca no Ceará preocupa produtores de leite
Além do camarão, a entrevista trouxe um alerta sobre os impactos da estiagem na pecuária leiteira do Ceará. Cristiano Maia afirmou que pequenos produtores precisam agir rapidamente para evitar perdas no rebanho. Entre as recomendações, ele citou armazenamento de silagem durante o inverno, suplementação alimentar e organização financeira.
O produtor explicou que vacas secas também precisam de alimentação adequada para manter a capacidade produtiva no próximo ciclo. “Vaca a gente levanta de longe”, resumiu, ao relatar ensinamentos aprendidos ainda na infância no sertão cearense.
Segundo ele, a produção de leite segue sendo essencial para milhares de famílias rurais do Nordeste, especialmente pela importância nutricional para crianças do interior. Cristiano comparou a realidade brasileira à de países europeus, como a Suíça, onde produtores recebem incentivos governamentais permanentes para manter a atividade leiteira.
Exportação de pescado ainda enfrenta barreiras internacionais
Outro ponto abordado foi a dificuldade para reabrir mercados internacionais para o pescado brasileiro. Cristiano Maia, que também preside entidades ligadas ao setor, afirmou que o Brasil ainda enfrenta barreiras da União Europeia desde 2018. Apesar disso, acredita que o país possui qualidade técnica suficiente para competir globalmente.
Ele destacou investimentos em genética, laboratórios e tecnologia como diferenciais da carcinicultura nacional. Segundo o empresário, o produtor brasileiro aprendeu a competir em condições adversas e transformou o Nordeste em referência mundial na produção de camarão.
Ao longo da conversa, Cristiano Maia também relembrou a mudança de Jaguaribara por causa da construção do Açude Castanhão e falou sobre o legado que deseja deixar no Ceará: estradas, produção de alimentos e oportunidades para quem vive no campo. O Portal AgroRaiz continuará acompanhando histórias que mostram como o sertão segue produzindo desenvolvimento, mesmo diante das dificuldades do semiárido.
Do sertão de Jaguaribara para uma das maiores referências do agro brasileiro. No podcast de Diego Trindade, Cristiano Maia compartilha sua trajetória no campo, os desafios da seca, a força da produção leiteira e como o camarão se transformou em uma das atividades mais rentáveis do Ceará.
Uma conversa sobre trabalho, visão, resistência e o futuro do agro nordestino contada por quem vive o campo todos os dias.
Assista ao episódio completo no YouTube de Diego Trindade — @diegotrindade.agrooficial











